terça-feira, 8 de junho de 2010

Sunday Smille

          
Tenho licença poética
Digo o que penso
Na hora que quero
Não que alguém a tenha me concedido
Eu apenas a tenho
Porque quis ter
porque sei escrever
Porque sei falar
Nunca soube distinguir o que aprendi primeiro
E me permito rir das desventuras
Chorar pelas perdas
Louvar minha subvida
Gosto de apreciar a lua cheia
O céu nublado
E o nascer do sol
Cultivo antigos amores
Serão futuros companheiros
Valorizo as amizades
Para nunca me sentir só
Como alimentos saudáveis
Tentando compensar o cigarro e a bebida
Todos querem longevidade
Pretendo chegar aos 100, nesse ritmo.
Vejo a beleza no feio
A feiúra no belo
Tudo me encanta
Até mesmo o que desprezo
Amo as cores
Do alvo ao negro
Também aquelas inclassificáveis
A palavra me desnorteia
Principalmente quando se apresenta em versos
Porque sou norte, sul, sudeste e nordeste.
Porque sou centro.

Sem fantasia

Prazer!
Eu sou mais um ser humano
Tenho certa idade, endereço tal,
E uma história
A amarga história de uma mãe viúva
Mulher confusa e seus sete filhos
Muito bem mal criados por sinal
A mãe que sofreu, chorou, endureceu.
Seus meninos lerdos, suas meninas espertas
Muito prazer!
Eu sou a caçula
Aquela da vida mais fácil
Do sofrimento da viúva
Sei apenas o que ouvi falar
Minha mãe me disse um dia:
" A tristeza veio com você e foi por você que ela se foi"
Quando cheguei a esse mundo
Nem era tão esperada
Depois de seis crianças
A sétima é só mais uma
Mas me esperaram bem
Quando eu cheguei, ele se foi.
Fui então mais um bebê sem pai
Como meus irmãos e outros tantos.
O tempo passou
Cresci, fui militante, pseudointelectual
Desconstruída enfim
E novamente, muito prazer!
Hoje sou ruínas, nada mais.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Na cama de gato em que me deito
Há novelos, areia, muita merda
Meu gato tá descalço
Eu uso suas botas
Emaranhados no envolto de lã
Mais fugimos, mais presos estamos
O gato, com seus gigantes olhos a me observar
Á zombar de mim
Chamando-me fraca
No desespero da superação
A areia derrete ao calor do meu corpo
Trasmutando em vidro ao contato com o gélido coração
Mesmo com a botas, firo os calcantes
Chagas profundas
Nunca cicatrizarão
Ademais não desisto
É fardo oneroso
Mas tenho obrigação hereditária de vencer
Amputo meus pés
Chego ao fim me arrastando
Grasnindo sozinha
Com a face suja da merda
Do gato que se foi.

Neurolinguística
Adélia Prado

Quando ele me disse:
Ô Linda,
Pareces uma rainha,
Fui ao cúmice do ápice
Mas segurei meu desmaio,
Aos sessenta anos de idade,
Vinte de casta viuvez,
Quero estar bem acordada ,
Caso ele fale outra vez.

                                            Prado, A. Poesia Reunida. São Paulo: Editora Siciliano, 1991.

"Idiossincrasia"

Escutando ao longe
Vozes, Sons, ruídos
Numa Mescla, é música.
Isolados não suporto
Muito necessita concentrar-se
Distingui-los é monótono
Gosto do alvoroço da multidão
Pífia, idiocêntrica, Irracionai.
Apresenta -me a verdade do ser
Sinto -me parte dela
Não há obrigação de destaque, superação
Sou um mais do meio
Seguindo pés avulsos
Como cães na madrugada
Minha avó dizia na sua senilidade insâna
Os cães uivam ao ver espiritos
Ultilizando sua visão axiológica
Somos nós, a plebe desencarnada
Á ranger os dentes um para o outro.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

À 4h da madrugada, sob o céu de Brasília

Oh! Cosmo.
Bom lugar me parece esta janela
Debruçada sobre ela, a retirante.
Retirante de lugar algum
Ao qual possa alguém retirar-se.
Do primeiro andar vejo as luzes da enorme cidade
Tão diferente daquela outra
Bem mais fria
Meu alcance do horizonte e´ limitado
Menos limitado que minha visão
Retrocedo agora
Considerando estranho de minha parte
Vocar o cosmo
Nunca fomos apresentados
Foi para não citar Deus
Almejando ser poetisa moderna
Livre de crenças e tudo mais
Pois bem, nada acresce
Sei que o soprar congelante do vento
Me impede de segurar o cigarro
Tento rascunhar qualquer coisa
E o traço que a caneta deixou
Não o enxergo
Devido a pouca luz e uma enorme miopia.
De tudo, isto me aborrece mais.
Logo a mim, a SUPER BLASÉ.

Receita de bolo

Bem, um blog... ter um blog.
criar, postar, postar e postar, divulgar, propagandear, td issu.

Se é assim q se mantem um blog, creio q preciso começar logo.

Ainda não sei bem como fazer issu, mas farei.